O Vento Vermelho e Branco do Carrão

O Vento Vermelho e Branco do Carrão

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O Vento Vermelho e Branco do Carrão

Quem passa pela Avenida Conselheiro Carrão em dias comuns enxerga o ritmo frenético de uma São Paulo que tem pressa. É o som dos ônibus, o abrir e fechar de portas do comércio, o sotaque tipicamente paulistano ecoando pelas calçadas. Mas existe uma semana no ano em que o tempo na Vila Carrão decide desacelerar, ou melhor, decide dançar em outro compasso. É quando o Divino Espírito Santo pede licença à modernidade para fincar suas bandeiras.

Quem passa pela Avenida Conselheiro Carrão em dias comuns enxerga o ritmo frenético de uma São Paulo que tem pressa. É o som dos ônibus, o abrir e fechar de portas do comércio, o sotaque tipicamente paulistano ecoando pelas calçadas. Mas existe uma semana no ano em que o tempo na Vila Carrão decide desacelerar, ou melhor, decide dançar em outro compasso. É quando o Divino Espírito Santo pede licença à modernidade para fincar suas bandeiras.

A Festa do Divino na Vila Carrão não é apenas um evento no calendário do bairro; é um nó bem dado no peito da comunidade. Suas raízes são profundas, regadas pela forte presença da comunidade luso-brasileira e açoriana que adotou a região. Quando as fitas vermelhas e brancas começam a ornamentar o entorno da paróquia, algo invisível e poderoso começa a operar na população.

O poder que a festa exerce sobre os moradores se manifesta nos detalhes mais miúdos. Está no olhar das senhoras que, meses antes, passam tardes costurando os mantos e organizando as alvoradas. Está no jovem que, embora passe o ano inteiro ouvindo música urbana e conectado sintonias globais, ali se vê emocionado ao ouvir o som da concertina e o bater dos tambores tradicionais. É um magnetismo que rompe gerações.

Caminhar pelas barracas é uma experiência sensorial completa. O aroma do caldo verde fumegante se mistura ao cheiro doce da tradicional fartura e dos bolos de racha. As famílias se reencontram nas mesas improvisadas; vizinhos que mal se cumprimentam na correria dos condomínios e sobrados do bairro ali dividem o mesmo espaço, a mesma herança. A comida conforta o corpo, mas é a devoção que alimenta o espírito do lugar.

O ápice dessa força se revela na procissão. Quando a bandeira do Divino avança, coroada pela pomba branca, o silêncio respeitoso engole o barulho do trânsito. Moradores saem às janelas de seus apartamentos, estendem colchas nas sacadas, choram. Não importa se a pessoa frequenta a igreja rigidamente aos domingos ou se guarda uma fé mais silenciosa e particular; naquele momento, o Carrão se reconhece como um corpo só.

A Festa do Divino Espírito Santo opera um milagre anual na Vila Carrão: ela lembra a uma metrópole de pedra e asfalto que, no fundo, nós ainda precisamos do calor do fogo, da partilha do pão e do abraço da nossa vizinhança para sabermos quem somos. Quando a última luz se apaga e as bandeiras são recolhidas, o morador volta para casa sabendo que o Divino passou por ali — e deixou o bairro um pouco mais sagrado, um pouco mais humano.

Nossa querida Zona Leste de São Paulo é de uma riqueza sem igual conseguimos reunir um Mundo aqui na Região que com esforço e determinação esta evoluindo rapidamente em beneficio de seus moradores.

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