Unidade que atende crianças de quatro meses a seis anos fica ao lado de construção abandonada; medida preventiva foi confirmada pela Subprefeitura da Penha
Uma escola infantil localizada na Avenida Padres Olivetanos, na Vila Esperança, Zona Leste de São Paulo, foi interditada preventivamente após uma fiscalização apontar riscos relacionados a uma obra abandonada existente no imóvel vizinho.
A medida atingiu a escola e berçário Vivência e Convivência, que atende crianças com idades entre quatro meses e seis anos. Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, a interdição foi determinada pela Subprefeitura da Penha após vistoria realizada no local.
Em nota reproduzida pela reportagem, a administração municipal informou que a obra abandonada foi interditada por não apresentar condições adequadas de estabilidade e por existir possibilidade de comprometimento da segurança da unidade escolar situada ao lado.
A interdição da escola é apresentada como provisória. Até a publicação desta matéria, não havia informação pública sobre uma data prevista para a retomada das atividades.
Risco estaria na construção vizinha
É importante esclarecer que a medida não foi atribuída a irregularidades da própria escola. De acordo com as informações disponíveis, a interdição ocorreu por causa do risco representado pela construção vizinha.
O empreendimento inacabado é associado à New Home, construtora relacionada ao prédio que desabou recentemente na região da Penha. As responsabilidades pelo desabamento e por eventuais irregularidades em diferentes empreendimentos continuam sendo investigadas pelas autoridades.
No caso da Vila Esperança, a obra ao lado da escola seria formada por sobrados de três pavimentos e já havia sido objeto de interdições e disputas judiciais anteriores.
Perícias apontaram problemas na obra
Segundo a reportagem, duas perícias técnicas foram realizadas no imóvel vizinho. A avaliação mais recente, datada de junho, teria identificado problemas como ferragens expostas à corrosão, ausência de concretagem em uma viga de sustentação, parede com deformação e falta de estruturas destinadas à proteção contra a queda de materiais.
O laudo citado classificou como crítica a possibilidade de queda de materiais da construção. Por outro lado, a mesma análise não teria identificado risco imediato de colapso total da estrutura naquele momento.
Essa distinção é importante: os documentos mencionados apontariam riscos que justificam providências preventivas, mas não permitem afirmar que o imóvel esteja prestes a desabar.
Antes da interdição completa, a escola já teria deixado de utilizar algumas salas e parte do pátio como medida de segurança.
Problemas são discutidos desde 2023
A instituição de ensino busca providências relacionadas à construção vizinha desde 2023. De acordo com documentos judiciais citados pela reportagem, a escola teria apresentado rachaduras, infiltrações, umidade e outros danos após intervenções realizadas no terreno ao lado.
Uma perícia anterior atribuiu parte dos problemas a uma escavação feita próxima à divisa dos imóveis, sem contenção considerada adequada. O relatório teria apontado movimentação do terreno e consequências para a edificação da escola.
Em maio de 2025, uma decisão judicial determinou a interdição da obra até que fossem realizadas correções técnicas e implantado o monitoramento da estrutura. A escola voltou a procurar a Justiça após o recente desabamento ocorrido na Penha e passou a defender uma solução definitiva para o imóvel vizinho.
Escola pede solução segura e rápida
Em manifestação divulgada após a interdição, a escola solicitou que o poder público adote providências para determinar, por meio de avaliações técnicas, as condições de segurança da construção abandonada.
A instituição também pediu rapidez na busca de uma solução que permita o retorno das crianças às atividades educacionais e de cuidado.
Até o momento, não foi divulgada uma definição sobre possíveis obras emergenciais, demolição da estrutura ou prazo para liberação da unidade escolar.
O Zona Leste em Foco continuará acompanhando o caso e atualizará esta matéria caso a Prefeitura, a escola ou os responsáveis pela construção apresentem novas informações.
Orientação aos moradores
Moradores que identificarem sinais de risco estrutural em imóveis, como rachaduras acentuadas, inclinação de paredes ou queda de materiais, podem acionar a Defesa Civil pelo telefone 199. Solicitações de fiscalização municipal também podem ser registradas pelo SP156.
Fontes:
Folha de S.Paulo — Escola vizinha a obra de construtora é interditada Subprefeitura da Penha, por meio de nota reproduzida na reportagem Informações de perícias e processos judiciais consultados pela reportagem da Folha

