Imagem ilustrativa de investigação policial em rodovia após acidente com passarela

Passarela da Fernão Dias: investigação avança e empresa responsável pelo transporte entra na apuração

Cotidiano

Polícia Civil identificou empresa contratada para realizar o transporte; motorista permanece preso preventivamente e questões sobre dimensões da carga, autorização e planejamento da rota ainda fazem parte dos pontos que precisam ser esclarecidos.

A investigação sobre o grave acidente que provocou a queda de uma passarela na Rodovia Fernão Dias (BR-381), em Vargem, no interior de São Paulo, ganhou novos desdobramentos nos últimos dias.

O acidente ocorreu na manhã de 18 de agosto de 2026, no km 4+100 da rodovia, e deixou duas pessoas mortas e outra gravemente ferida. A estrutura foi atingida durante a passagem de uma carreta que transportava um caminhão de grandes dimensões.

Agora, além da conduta do motorista, a Polícia Civil também passou a apurar as circunstâncias relacionadas à empresa contratada para executar o transporte.

Segundo informações divulgadas pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo e repercutidas pela imprensa, a Delegacia de Vargem identificou a empresa responsável pelo serviço. Os responsáveis deverão ser chamados para prestar esclarecimentos sobre as circunstâncias e eventuais irregularidades relacionadas à operação.

O nome da empresa contratada para o transporte não havia sido divulgado oficialmente até a atualização desta reportagem.

O que aconteceu na Fernão Dias

De acordo com comunicado oficial da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a ocorrência foi registrada no km 4+100 da BR-381, em Vargem.

A concessionária Motiva Minas_SP, responsável atualmente pelo trecho, foi acionada às 10h24 e mobilizou equipes de resgate, inspeção, guincho, sinalização e orientação aos usuários da rodovia.

A passarela desabou sobre veículos que circulavam pela Fernão Dias.

As vítimas fatais foram identificadas como Rosângela Carlos Soares Chaves, de 63 anos, e Douglas Soares Quaresma, de 40 anos, mãe e filho, moradores de Belo Horizonte.

Outra pessoa ficou ferida e precisou ser socorrida após o acidente.

Carga tinha excesso de altura e largura, segundo a investigação

Segundo informações atribuídas pela imprensa à Polícia Civil, o conjunto transportava um caminhão de grandes dimensões e apresentava excesso de altura e de largura.

O delegado responsável pela investigação informou que, durante uma manobra de ultrapassagem, a carga atingiu a estrutura da passarela, provocando seu desabamento.

O motorista realizou teste do bafômetro, cujo resultado foi negativo. A investigação também informou que, até aquele momento, não haviam sido encontrados indícios de excesso de velocidade.

Esses elementos fazem parte da investigação em andamento e não representam, isoladamente, uma conclusão definitiva sobre todas as causas ou responsabilidades pelo acidente.

Motorista teve prisão convertida em preventiva

O motorista da carreta, Deyvidson Temudo de Oliveira, de 42 anos, foi preso em flagrante após receber atendimento médico.

Posteriormente, durante audiência de custódia, a Justiça converteu a prisão em preventiva.

O caso foi inicialmente registrado pela Polícia Civil como homicídio culposo e lesão corporal culposa na direção de veículo automotor.

A prisão preventiva é uma medida cautelar do processo e não representa condenação definitiva. A responsabilidade criminal deverá ser determinada no decorrer da investigação e de eventual processo judicial, assegurados o contraditório e o direito de defesa.

Motorista diz que não previa colisão com a passarela

Em depoimento divulgado pela imprensa, o motorista afirmou que não imaginava que a carga transportada atingiria a estrutura.

Segundo o relato, ele havia sido contratado para transportar um caminhão utilizado em atividades relacionadas a mineração e pedreiras.

Há também reportagem segundo a qual o motorista declarou aos investigadores possuir autorização para realizar o transporte.

Esse ponto, entretanto, exige cautela.

Até o fechamento desta atualização, o Zona Leste em Foco não teve acesso ao documento de autorização citado, nem encontrou divulgação oficial que permitisse verificar seu conteúdo, as dimensões nele registradas, eventuais condições especiais de circulação ou a rota efetivamente autorizada.

Por esse motivo, não é possível afirmar neste momento que o transporte estava completamente regular — nem afirmar o contrário.

Polícia passa a investigar empresa contratada para o transporte

Um dos avanços mais importantes na apuração ocorreu com a identificação da empresa contratada para realizar a operação.

Segundo informações da Polícia Civil divulgadas em 20 de agosto, os responsáveis deverão ser convocados para prestar depoimento sobre as circunstâncias do transporte e possíveis irregularidades.

A identificação da empresa amplia a investigação para além das ações tomadas pelo motorista no momento do acidente.

Entre os aspectos que poderão ser esclarecidos estão o planejamento logístico da operação, as dimensões do conjunto, as autorizações existentes e as condições estabelecidas para circulação da carga.

Até o momento, porém, não há conclusão oficial atribuindo responsabilidade à empresa.

Proprietária do equipamento diz que transporte foi terceirizado

A XCMG Brasil, apontada como proprietária do equipamento que estava sendo transportado, divulgou manifestação lamentando o acidente.

Segundo nota atribuída à companhia, a empresa não executava diretamente o transporte. A operação teria sido realizada por uma empresa especializada contratada para prestar o serviço e responsável pela condução operacional da atividade logística.

A XCMG afirmou ainda que acompanha o caso e está à disposição das autoridades.

Essa manifestação também não encerra a questão da responsabilidade. Caberá às autoridades analisar contratos, documentos, autorizações e a atuação de cada parte envolvida antes de qualquer conclusão.

E a Autorização Especial de Trânsito?

Este é um dos pontos mais importantes para a compreensão do caso.

A legislação brasileira estabelece regras especiais para a circulação, em rodovias federais, de veículos ou combinações destinadas ao transporte de cargas indivisíveis que excedam os limites regulamentares de peso ou dimensões.

A Resolução nº 11/2022 do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), atualizada em 2026, estabelece que o transporte enquadrado nessas condições somente pode ocorrer mediante Autorização Especial de Trânsito (AET), conforme as regras aplicáveis.

A norma também se aplica às rodovias federais operadas sob regime de concessão.

A regulamentação prevê condições técnicas e operacionais que variam conforme dimensões, peso e características da carga.

Portanto, mais importante do que simplesmente perguntar se existia uma autorização é esclarecer:

Que tipo de autorização havia? Quais dimensões foram informadas? Qual percurso estava previsto e quais condições deveriam ser observadas durante o transporte?

Até o momento, essas respostas não foram apresentadas publicamente de maneira suficientemente detalhada nas fontes consultadas pelo Zona Leste em Foco.

Existência de autorização não encerra a investigação

Mesmo que seja confirmada oficialmente a existência de uma AET ou de outra autorização aplicável ao transporte, ainda haverá questões técnicas importantes a serem esclarecidas.

Uma autorização está relacionada às características do veículo, da carga e às condições determinadas para sua circulação.

Por isso, a investigação poderá precisar verificar se aquilo que estava efetivamente sendo transportado correspondia às características declaradas nos documentos e se todas as condições previstas para aquele deslocamento foram cumpridas.

Também é importante verificar qual percurso estava autorizado e se a operação seguia o planejamento originalmente apresentado.

Não se trata, neste momento, de afirmar que houve irregularidade. Trata-se de identificar documentos e informações indispensáveis para compreender como ocorreu o acidente.

ANTT diz que acompanhará infraestrutura e atuação da concessionária

A ANTT informou oficialmente que acompanha o acidente e as providências adotadas na rodovia.

Segundo informação atribuída à Agência após o ocorrido, o órgão também acompanhará os desdobramentos e, dentro de suas competências regulatórias e fiscalizatórias, deverá verificar as condições da infraestrutura e a atuação da concessionária.

Esse é outro aspecto relevante porque o acidente envolve não somente um veículo com dimensões especiais, mas também uma estrutura instalada sobre uma rodovia federal concedida.

A concessionária responsável atualmente pelo trecho é a Motiva Minas_SP.

Uma pergunta permanece: como a carga chegou até aquela passarela?

Conforme novas informações aparecem, uma questão continua central.

Como um conjunto que, segundo a investigação policial, apresentava excesso de altura e largura chegou até uma estrutura com a qual acabou entrando em colisão?

Responder a essa pergunta exige mais do que analisar os segundos anteriores ao impacto.

Será necessário compreender todo o planejamento da operação.

Entre outras coisas, a investigação poderá esclarecer quem contratou o transporte, quem definiu a rota, quais eram as dimensões reais da carga, quais documentos foram emitidos e quais procedimentos de segurança deveriam ter sido adotados.

Essas perguntas são ainda mais relevantes em operações envolvendo equipamentos de grandes dimensões, justamente porque um erro de planejamento pode produzir consequências graves para motoristas, passageiros e demais usuários das rodovias.

Perguntas que ainda precisam de resposta

Apesar dos avanços na investigação, vários pontos permanecem sem resposta pública conclusiva:

  • Qual era a altura total exata do conjunto formado pela carreta e pelo equipamento transportado?
  • Qual era a largura total?
  • Qual era o gabarito vertical e quais eram as características da passarela atingida?
  • Qual documento autorizava o transporte?
  • Caso houvesse AET, quais dimensões estavam declaradas nela?
  • Qual era a rota prevista para o deslocamento?
  • O trecho onde ocorreu o acidente fazia parte do percurso autorizado?
  • Havia exigência de escolta ou outras medidas especiais?
  • Quem realizou o planejamento da operação logística?
  • Houve divergência entre as dimensões informadas e as dimensões efetivas do conjunto?
  • Quais conclusões serão apresentadas pela perícia?
  • A análise da ANTT identificará algum problema relacionado à infraestrutura ou à atuação da concessionária?

Somente documentos, perícias, depoimentos e manifestações oficiais poderão responder adequadamente a essas questões.

Investigação deve determinar eventual cadeia de responsabilidades

Casos envolvendo transporte de cargas de dimensões especiais normalmente exigem análise de diferentes participantes da operação.

Isso não significa que todos tenham responsabilidade pelo ocorrido.

Motorista, transportadora, empresa contratante, responsáveis pelo planejamento logístico, concessionária e órgãos públicos possuem atribuições diferentes, e eventual responsabilização dependerá da demonstração concreta de conduta, dever legal e relação com o acidente.

Por isso, qualquer tentativa de apontar culpados antes da conclusão das investigações seria precipitada.

A Polícia Civil continua realizando diligências.

O avanço das apurações sobre a empresa contratada para executar o transporte pode ajudar a esclarecer justamente o que aconteceu antes de a carreta chegar à passarela.

Uma tragédia que exige respostas

No centro de toda essa investigação estão duas vidas perdidas.

Rosângela Carlos Soares Chaves e Douglas Soares Quaresma viajavam pela Fernão Dias quando o veículo em que estavam foi atingido pela estrutura.

A busca por respostas sobre o acidente não deve se transformar em julgamento antecipado, mas também não pode se limitar à descrição do momento da colisão.

É necessário compreender como a operação foi planejada, quais controles existiam e se as normas destinadas a tornar seguro o transporte de cargas excepcionais foram efetivamente observadas.

É justamente a investigação desses fatos que poderá indicar se a tragédia decorreu de uma conduta isolada ou se existiram outros fatores que contribuíram para que o acidente acontecesse.

O Zona Leste em Foco continuará acompanhando o caso e atualizará esta reportagem sempre que surgirem informações oficiais relevantes.


Fontes consultadas

As informações desta reportagem foram apuradas a partir de fontes oficiais e veículos de imprensa que acompanham o caso:

Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) — informações oficiais sobre a ocorrência na BR-381/Fernão Dias, atuação da concessionária e acompanhamento do acidente.

Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) — regulamentação sobre transporte de cargas indivisíveis e Autorização Especial de Trânsito (AET), especialmente a Resolução nº 11/2022.

Polícia Civil / Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) — informações sobre a investigação, prisão do motorista e apuração das circunstâncias do transporte, reproduzidas pelos veículos jornalísticos consultados.

Meon — informações sobre a decisão judicial que converteu a prisão do motorista em preventiva e manifestações relacionadas ao transporte.

Reportagem atualizada com informações disponíveis até 21 de agosto de 2026.

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