A Poesia Quotidiana da Zona Leste

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Ouro sobre Laje: A Poesia Quotidiana da Zona Leste

A Poesia Quotidiana da Zona Leste. Quem não vive na Zona Leste costuma enxergá-la apenas pelos números, pelas distâncias ou pela pressa de quem acorda antes do sol nascer. Mas há um contra-ataque poético que a pressa não apaga. Existe uma beleza teimosa que insiste em brotar entre os fios de alta tensão, o concreto cinzento e os telhados de amianto. É uma estética da sobrevivência, capturada com sensibilidade pelo olhar atento de Fabio Luiz Lima Fernandes.

Na ZL, o céu não pede licença para ser espetacular. Como na imagem , o fim de tarde incendeia as nuvens em um tom de laranja tão vivo que faz esquecer, por alguns minutos, o cansaço do dia. O emaranhado de cabos nos postes e os transformadores viram silhuetas de uma moldura urbana única. Não há sofisticação arquitetônica ali, mas há o privilégio de assistir ao sol se deitar sobre os bairros horizontais, pintando o horizonte de dourado, como registrado também na silhueta poética de.

Mesmo quando a noite cai e os prédios altos começam a acender suas janelas como pequenos cubos de vida e a lua cheia surge imponente para lembrar que a periferia também é iluminada pelo mesmo céu que cobre os bairros nobres. Há uma mística na calmaria desses grandes blocos residenciais que contrastam com o topo das casas de bloco texturizado.

A simplicidade da região ganha contornos de pura nostalgia quando olhamos para a ladeira. Quem é da Zona Leste conhece o desenho dessa rua: o asfalto gasto, os portões de ferro, as fiações cruzando o céu e, lá no fundo, o último suspiro de um crepúsculo avermelhado. É o cenário do retorno para casa, o silêncio que precede o jantar, a calçada que já viu gerações de crianças correndo.

E por falar em infância e comunidade, poucas coisas traduzem melhor a alma do paulistano periférico do que um parque de diversões itinerante montado no meio do bairro, vizinho ao viaduto e aos grandes residenciais, como vemos na vibrante foto. Com as luzes coloridas do “Trem Fantasma” e do carrossel brilhando intensamente na noite, o parque vira um oásis de alegria e distração. Falta recurso público? Muitas vezes sim. Mas sobra espaço para o encontro, para o riso das crianças e para os momentos em que a dureza do asfalto dá lugar à fantasia colorida dos brinquedos de lona.

A Zona Leste ensina que a beleza não depende do luxo. Ela está na fresta de luz rosada que rasga as nuvens pesadas por entre as copas das árvore, no labirinto de telhados iluminados pelos postes de luz amarela que se estendem até onde a vista alcança, e no orgulho de quem sabe encontrar poesia no topo de um edificio.

A periferia é gigante, complexa e, acima de tudo, incrivelmente viva.

Zona Leste de São Paulo é também pura Poesia

Fotos por: Fabio Luiz Lima Fernandes

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