Bancos de leite de São Paulo beneficiaram 3.447 bebês em 2025. Ermelino Matarazzo e São Miguel Paulista integram a rede de coleta.
Bancos de leite ajudam quase 3,5 mil bebês. Unidades de Ermelino Matarazzo e São Miguel Paulista fazem parte da estrutura municipal de coleta e apoio à amamentação; leite humano doado é especialmente importante para bebês prematuros e de baixo peso
Quase 3,5 mil recém-nascidos internados em UTIs neonatais das maternidades municipais de São Paulo foram beneficiados com leite humano doado em 2025, segundo informações divulgadas pela Prefeitura de São Paulo.
Ao longo do ano, os três bancos de leite humano mantidos pela rede municipal coletaram 3.860 litros, provenientes de 2.484 doadoras. As doações contribuíram para a alimentação e recuperação de 3.447 recém-nascidos.
A iniciativa tem importância especial para famílias com bebês prematuros ou que nasceram abaixo do peso. Cerca de 95% dos recém-nascidos atendidos pelos bancos de leite encontram-se nessas condições, que podem aumentar a vulnerabilidade a infecções e outras complicações.
Nesse cenário, o leite humano doado torna-se muito mais do que uma alternativa de alimentação: é um importante aliado no tratamento e desenvolvimento dos bebês internados.
Zona Leste participa da rede municipal de bancos de leite
A Zona Leste de São Paulo possui papel importante nessa estrutura.
Um dos três bancos de leite humano da rede municipal funciona no Hospital Municipal Prof. Dr. Alípio Corrêa Netto, em Ermelino Matarazzo.
Além dele, o Hospital Municipal Tide Setúbal, em São Miguel Paulista, mantém um posto de coleta responsável pela captação do leite e também pelo atendimento, orientação e apoio às mulheres que desejam doar.
As outras unidades municipais com bancos de leite estão no Hospital Municipal Maternidade-Escola Vila Nova Cachoeirinha, na Zona Norte, e no Hospital Municipal Dr. Fernando Mauro Pires da Rocha, no Campo Limpo, na Zona Sul.
A presença dessa estrutura na Zona Leste facilita o acesso das mães da região à orientação sobre amamentação e à possibilidade de transformar o leite excedente em ajuda para recém-nascidos hospitalizados.
Doação passa por rigoroso controle de qualidade
O leite doado não é encaminhado diretamente aos bebês.
Antes de ser utilizado, passa por diferentes etapas de controle, incluindo seleção, análise microbiológica, pasteurização e controle de qualidade.
O processo busca garantir a segurança do alimento destinado principalmente a recém-nascidos que se encontram em condições de maior vulnerabilidade.
Esse cuidado é fundamental porque muitos dos bebês beneficiados permanecem internados em UTIs neonatais e necessitam de acompanhamento especializado.
Volume de leite doado cresceu mais de 20%
Outro dado positivo divulgado pela Prefeitura é o crescimento das doações.
Nos últimos cinco anos, o volume de leite humano doado aos serviços municipais aumentou mais de 20%.
Nesse período, a rede municipal de saúde coletou mais de 12 mil litros de leite humano, ampliando a quantidade disponível para atender recém-nascidos internados.
O crescimento demonstra também a importância das campanhas de conscientização e do trabalho realizado pelas equipes de saúde junto às mães que estão amamentando.
Mãe da Zona Leste transforma leite excedente em solidariedade
Entre as histórias por trás desses números está a de Ketelen Milena, de 19 anos, mãe de Anthonny, de quatro meses.
Depois de perceber que produzia mais leite do que o filho conseguia consumir, ela procurou orientação.
Ketelen chegou ao Grupo de Apoio ao Aleitamento Materno Exclusivo (Gaame) da UBS Jardim Paraguaçu, na Zona Leste, unidade onde havia realizado seu acompanhamento pré-natal.
Com auxílio dos profissionais, aprendeu técnicas relacionadas à amamentação e ajudou o filho a realizar corretamente a pega durante as mamadas.
A produção excedente passou então a ter outro destino: ajudar outros bebês.
Ketelen tornou-se uma das mais de 1,2 mil mulheres que contribuíram com os bancos de leite humano da rede municipal somente no primeiro semestre deste ano.
Além de beneficiar crianças internadas, as mulheres que participam da iniciativa recebem acompanhamento e orientações das equipes de saúde durante o processo.
“Me sinto muito feliz por dar ao meu filho o alimento mais saudável e ainda poder ajudar outras crianças”, afirmou Ketelen, segundo relato divulgado pela Prefeitura.
Mesmo com o retorno ao trabalho, ela pretende manter a amamentação exclusiva. Para isso, leva diariamente Anthonny à creche acompanhado de cinco frascos de leite previamente coletados e congelados, que serão utilizados durante o período em que estiver trabalhando.
Pequenas doações podem ajudar vários bebês
Um dos aspectos mais importantes da campanha é que não é necessário produzir grandes volumes para se tornar doadora.
Mulheres saudáveis que estejam amamentando e tenham produção de leite superior às necessidades de seus próprios filhos podem procurar orientação para realizar a doação.
Mesmo pequenas quantidades são importantes.
Dependendo do peso e da situação clínica de cada recém-nascido, um único litro de leite humano pode contribuir para alimentar até dez bebês internados.
Isso significa que o leite que eventualmente seria descartado por uma mãe pode fazer enorme diferença para uma criança prematura que permanece hospitalizada.
Como doar leite materno em São Paulo?
Mulheres que estão amamentando e possuem produção excedente podem procurar os bancos de leite humano da rede municipal.
A coleta é realizada de maneira simples e segura, seguindo as orientações fornecidas pelos profissionais de saúde.
Quem tiver interesse também pode procurar sua Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência para obter informações sobre os procedimentos necessários e descobrir o serviço mais adequado para realizar a doação.
Para as moradoras da Zona Leste, a existência de um banco de leite em Ermelino Matarazzo e de um posto de coleta em São Miguel Paulista aproxima esse serviço da população da região.
Um gesto que pode representar esperança para outra família
Por trás das estatísticas dos bancos de leite existem milhares de histórias de mães, bebês e famílias que enfrentam momentos delicados após um nascimento prematuro.
Enquanto algumas mulheres produzem leite além das necessidades de seus filhos, outras famílias acompanham bebês que ainda lutam para ganhar peso e se desenvolver dentro de uma UTI neonatal.
Os bancos de leite fazem justamente essa ponte.
O crescimento das doações registrado nos últimos anos mostra como um gesto relativamente simples pode se transformar em uma grande rede de solidariedade.
Na Zona Leste e em outras regiões de São Paulo, cada novo frasco doado pode significar alimento, recuperação e, principalmente, uma oportunidade a mais para que um bebê possa crescer saudável.
Fonte: Prefeitura de São Paulo / Secretaria Municipal da Saúde.

