Desabamento na Penha

Responsáveis por prédio que desabou na Penha seguem foragidos; investigação avança após tragédia

Segurança

Polícia procura dois responsáveis ligados à construtora New Home; Prefeitura cria força-tarefa para vistoriar obras na Penha enquanto diferentes frentes tentam esclarecer o desabamento que deixou seis mortos

Dez dias depois do desabamento de um prédio em construção na Rua Tequici, na Penha, Zona Leste de São Paulo, dois responsáveis ligados à construtora New Home continuam sendo procurados pela Justiça.

O desastre, ocorrido em 12 de setembro, atingiu uma residência vizinha e terminou com seis pessoas mortas e duas resgatadas com vida.

Desde então, a investigação avançou para além das causas físicas do colapso. A Polícia Civil apura possíveis responsabilidades pelo desastre, enquanto a Prefeitura investiga os procedimentos de fiscalização adotados antes da tragédia.

Paralelamente, o poder público iniciou uma fiscalização extraordinária de outras construções existentes na região da Penha. A medida foi formalizada após o desabamento.

Responsáveis continuam sendo procurados

Segundo reportagem publicada pelo G1 nesta terça-feira (22), dois responsáveis técnicos e sócios da New Home permanecem foragidos mais de dez dias depois da tragédia.

Eles são procurados no contexto da investigação sobre o desabamento.

É importante fazer uma distinção: as responsabilidades criminais pelas seis mortes ainda estão sendo investigadas. A existência de mandados de prisão e de um inquérito não representa, por si só, condenação.

A Polícia Civil deverá reunir depoimentos, documentos e resultados periciais para determinar a participação e eventual responsabilidade de cada investigado.

Casal também aparece em investigações sobre negócios imobiliários

Outro elemento revelado pela apuração do G1 amplia o alcance do caso.

Além do inquérito relacionado ao prédio da Penha, integrantes ligados à New Home aparecem em investigações sobre suspeitas de irregularidades e prejuízos envolvendo negócios imobiliários.

Essas apurações são independentes e devem ser tratadas separadamente do desabamento.

Portanto, neste momento, não é possível apresentar essas suspeitas como crimes definitivamente comprovados.

A existência de outras investigações, entretanto, aumenta a importância de esclarecer a atuação das pessoas responsáveis pelos empreendimentos e a documentação das empresas envolvidas.

Reportagem do G1 sobre os responsáveis procurados e as demais investigações

Fiscal responsável por vistoria foi afastada

A atuação da fiscalização municipal antes do desabamento também permanece no centro das apurações.

Como o Zona Leste em Foco já mostrou, a construção possuía um histórico administrativo que incluía fiscalizações, interdição, multas e ação judicial.

Posteriormente, um novo projeto foi aprovado.

Uma das questões fundamentais é a vistoria realizada em 2024, relacionada à demolição da estrutura anterior existente no terreno.

A servidora municipal envolvida nesse procedimento foi afastada enquanto sua atuação é investigada.

O objetivo agora é reconstruir documentalmente o que ocorreu entre as irregularidades inicialmente constatadas, a aprovação do novo empreendimento e a obra que estava em execução quando aconteceu o desabamento.

Prefeitura cria força-tarefa após tragédia

A resposta municipal agora alcança outras construções da região.

A Subprefeitura da Penha instituiu oficialmente a Força-Tarefa de Fiscalização Intensiva de Obras (FT-OBRAS/PENHA).

A Portaria nº 162 foi assinada em 18 de setembro e publicada no Diário Oficial em 21 de setembro. O próprio documento cita expressamente o colapso estrutural ocorrido em 12 de setembro como uma das razões para a criação da operação.

Inicialmente, a força-tarefa funcionará durante 30 dias, podendo ser prorrogada pelo mesmo período.

Obras serão vistoriadas presencialmente

O trabalho não ficará restrito à análise de documentos.

A determinação prevê o mapeamento e a vistoria presencial de obras em execução, paralisadas, embargadas ou que tenham passado recentemente por fiscalização.

A prioridade inclui empreendimentos residenciais multifamiliares e construções comerciais de maior porte.

As equipes deverão verificar, entre outros aspectos, a existência e a validade dos alvarás e projetos aprovados e o cumprimento de eventuais embargos, interdições ou ordens de paralisação.

Essa é uma consequência concreta da tragédia que interessa diretamente aos moradores da Penha.

Fiscalização poderá interditar imóveis diante de risco

A portaria também determina a adoção de medidas imediatas quando os fiscais encontrarem situações consideradas perigosas.

Caso sejam identificados risco iminente à segurança, divergências em relação ao projeto aprovado ou ausência de responsável técnico habilitado, poderão ser adotadas providências como autuação, embargo e interdição total ou parcial do imóvel.

Quando houver risco que possa exigir demolição, a Subprefeitura deverá estabelecer comunicação urgente com a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras para avaliar as providências necessárias.

Força-tarefa terá de apresentar resultados

Existe ainda um mecanismo que permitirá acompanhar o resultado da operação.

A Coordenadoria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano deverá apresentar relatórios quinzenais à Subprefeitura da Penha.

Esses documentos deverão informar o número de vistorias realizadas, notificações, multas, embargos e interdições, além de indicar situações graves que eventualmente precisem ser comunicadas a outros órgãos municipais, conselhos profissionais ou autoridades policiais.

Esse será um ponto importante para o Zona Leste em Foco acompanhar nas próximas semanas, porque permitirá verificar quantas construções foram fiscalizadas e quais irregularidades foram encontradas.

Especialistas participam da apuração técnica

Outra frente aberta depois da tragédia envolve a Controladoria-Geral do Município (CGM).

A Controladoria se reuniu com representantes do Crea-SP, SindusCon-SP e Instituto de Engenharia para obter apoio técnico nas análises relacionadas ao desabamento.

As entidades indicaram especialistas em alvenaria estrutural e fundações para contribuir com os trabalhos.

A própria CGM ressalta que essa cooperação é técnica, não interfere na independência das investigações e não representa antecipação de conclusões ou responsabilidades.

Ainda há perguntas sem resposta

Apesar dos avanços registrados desde o dia do desabamento, algumas das respostas mais importantes ainda dependem das investigações.

A perícia deverá ajudar a esclarecer por que a estrutura entrou em colapso.

A investigação policial deverá estabelecer se houve condutas que contribuíram para as mortes e quais responsabilidades eventualmente cabem aos envolvidos.

Já a apuração administrativa deverá esclarecer se houve falhas nos procedimentos de fiscalização e licenciamento da obra.

Essas três questões precisam ser analisadas separadamente para evitar conclusões antecipadas.

Caso entra em uma nova etapa

O desabamento da Rua Tequici deixou de ser apenas uma operação de emergência.

Dez dias depois, o caso envolve investigação criminal, apuração administrativa, perícias técnicas e agora uma operação extraordinária de fiscalização de outras obras da Penha.

Enquanto dois responsáveis ligados à construtora permanecem procurados, a Prefeitura tenta verificar se existem outras edificações na região com problemas de documentação, segurança ou cumprimento de embargos.

Para as famílias das seis pessoas que morreram, entretanto, permanece a questão fundamental: o que provocou o desabamento e se a tragédia poderia ter sido evitada?

As respostas dependerão das conclusões oficiais das investigações em andamento.

O Zona Leste em Foco continuará acompanhando o caso, incluindo a localização dos procurados, os resultados das perícias e os primeiros balanços da força-tarefa de fiscalização criada na Penha.

Fontes:

Prefeitura — íntegra da Portaria que criou a força-tarefa

Controladoria-Geral — cooperação técnica para investigar o desabamento

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