QUEM FOI PLATÃO?

Cotidiano

Platão pertencia á uma das mais nobres famílias de Atenas, onde
nasceu em 428 a.C. Seu nome verdadeiro era Arístocles, mas recebeu a
alcunha de Platão devido talvez à sua constituição física: plato, em
grego significa “de ombros largos”. Como todos aristocratas de sua
época, recebeu uma educação especial: leitura, escrita, ginastica
e musica, pintura e poesia. Excelente atleta, participou dos jogos
olímpicos como lutador. Mas por tradição de família , Platão desejava
dedicar-se à vida publica. E tudo indica que poderia fazer uma brilhante
carreira politica: ele mesmo falava desse projeto em uma de suas muitas
cartas.
Muito cedo porem, Platão tornou-se devotado discípulo de Sócrates,
aprendendo e discutindo com esse filosofo os problemas do conhecimento
do mundo e as virtudes humanas. Quando Sócrates foi condenado a morte
 sob a acusação de “perverter a juventude” Platão desiludiu-se da
politica e resolveu voltar-se inteiramente para a filosofia. A fim de
eternizar os ensinamentos do mestre, que não havia redigido nenhum
livro, escreveu vários diálogos onde a figura principal é Sócrates.

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Com isso, tornou conhecidos seu pensamento e seu método. Esse amor à
sabedoria, que levou Sócrates a aceitar a morte e Platão a desistir da
politica, não é outra coisa senão filosofia. Essa palavra parece ter
sido usada pela primeira vez por Pitágoras , filosofo, matemático grego
que viveu de 570 a 496 antes de Cristo. Consta que Pitágoras explicava o
uso do termo dizendo: “Ninguém é sábio a não ser a divindade, porem  é permitido ao homem amar a sabedoria, isto é  ser filosofo” do grego philein= amar sophie= sabedoria.
De qualquer modo, a filosofia, como busca do conhecimento que se
distingue do mito, da religião e da ciência , surgiu com os gregos
antigos. E para explicar seu pensamento filosófico, no livro VII da
“Republica”, uma historia famosa “o mito da caverna”




AS SOMBRAS DA CAVERNA



Platão
imagina alguns homens que desde a infância se encontram aprisionados em
uma caverna, com uma pequena abertura onde atravessa a luz exterior. No
interior da caverna, os homens não conseguem mover-se para trás e só
podem olhar para a parede do fundo. Lá fora, às costas dos cativos,
brilha o resplendor de um fogo aceso sobre uma colina e entre ela e os
presos há um caminho por onde passam outros homens carregando pequenas
estatuas. As sombras desses passantes são projetadas no fundo da caverna
e vistas pelos prisioneiros que atribuem as vozes que ouvem as propiás
sombras: para eles é a única realidade .
Entretanto, um dos cativos consegue evadir-se da caverna e alcançar o
mundo luminoso. O sol deslumbra-o dolorosamente e quase o cega. Pouco a
pouco, tenta habituar-se, primeiro consegue ver as sombras , em seguida
as imagens das coisas refletidas nas aguas e por fim , as coisas mesmas.
Vê o céu à noite, as estrelas e a lua. E ao amanhecer , a imagem
refletida do sol. Por ultimo, depois de um grande esforço pode
contemplar o sol mesmo.

Então sente que o mundo em que tinha vivido antes era irreal e
desprezível. Se dissesse aos seus companheiros que o mundo era de
sombras , e não de coisas reais, certamente ririam dele. Se procura-se
salvá-los  e trazê-los para o mundo real, do lado de fora da caverna o
matariam.
Platão explica que a alma, antes de ficar aprisionada ao corpo, habitava
o mundo luminoso das ideias, guardando apenas vagas lembranças desta
existência anterior. Contudo, essas reminiscências fazem com que a alma
esteja sempre voltada para aquele mundo ideal.
Mas as sensações do corpo tendem a desviá-la desse caminho, que é o da
sabedoria da vida. Por isso, apenas a parte racional (mental) do homem é
nobre e boa. A parte das sensações físicas deve ser subordinada a ela.
Esta elevação moral, propiá da filosofia platônica, termina por dividir
toda a realidade existente em duas partes antagônicas : espírito e
matéria. O espirito é mortal e durante tua passagem pelo mundo procura
recordar-se daquele universo onde está a suprema verdade do bem.


O MUNDO DAS IDEIAS



O
que significa a caverna com suas sombras! E o mundo luminoso la fora!
Qual a diferença entre os homens da caverna e o fugitivo que consegue
enxergar o sol! Platão usa todas essa imagens para dizer que o mundo que
percebemos com nossos sentido é um mundo ilusório e confuso,mundo de
sombras. Mas esta realidade sensível não é todo o universo. Há um reino
mais elevado, espiritual, eterno onde esta o que existe verdadeiramente
as ideias, que só a razão pode conhecer. Este é o mundo luminoso, que se
encontra fora da caverna e que apenas alguns homens “os filósofos”
chegam a perceber. É preciso, pois ir além dos sentidos para ter acesso
ao mundo da ideias. Há a idéia de Lomem, de arvore, de cor, de tamanho,
de beleza, de justiça, que se manifestaram sob várias formas, as ideias
são gerais e permanentes. E a mais elevada delas é a ideia do bem, causa
e finalidade do universo.


O SONHO DA SOCIEDADE IDEAL



Aplicando a sua filosofia, Platão imaginou na “Republica” uma sociedade
ideal dividida em três classes levando em conta a capacidade individual
de cada individuo: a primeira camada, mais presa às necessidades do
corpo, seria encarregada da produção e distribuição de gêneros para toda
a comunidade: lavradores, artífices e comerciantes. A segunda classe,
mais empreendedora se dedicaria a defesa, os soldados. A classe
superior, mais capacitada para servir-se da razão, seria as do
intelectuais, que possuiriam também o poder politico: assim
evidentemente os reis teriam que ser escolhidos entre os filósofos.


O FILOSOFO REVOLUCIONÁRIO DA ACADEMIA À ESCOLA NEOPLATÔNICA



Platão
desde a morte de Sócrates, se opôs com empenho à democracia ateniense, o
que o levou a abandonar sua terra. Viajou para Megara onde estudou
geometria com Euclides, notável matemático da época. Depois esteve em
vários outros lugares, no Egito aplicou-se a astronomia , em Cyrene
(norte da África) aperfeiçoou-se nas matemáticas em Cotrona (sul da
atual Itália) esteve com discípulos de Pitágoras. Esses estudos
deram-lhe a formação intelectual necessária para formular as propiás
teorias, aprofundando os ensinamentos de Sócrates.

De todas essas viagens, a mais famosa foi a estada em Siracusa na
Sicília (então pertencente  Magna Grécia) onde procurou por varias vezes
criar a sociedade ideal que havia imaginado e descrito na “Republica”.
As tentativas falharam e todas as vezes foi obrigado a abandonar a
cidade, ameaçado por adversários políticos. Certa ocasião chegou até a
ser vendido como escravo, só recuperando a liberdade graças a
intervenção de um amigo que pagou o resgate.
Quando voltou para Atenas por volta de 387 a.C, Platão fundou sua escola
filosófica, nos jardins construídos pelo herói Academus. Daí sua escola
ter ficado conhecida como Academia.

Em sua escola Platão reunia-se com seus discípulos para estudar filosofia e ciências.
No campo cientifico dedicava-se especialmente a geometria e a
matemática. Mas o que o filosofo procurava transmitir era principalmente
uma profunda fé na razão e na virtude adotando um lema de Socates “o sábio é o virtuoso”.
Esta foi mesmo a preocupação máxima dos seus últimos anos, quando
escreveu suas obras mais notáveis. E tal foi a influencia de Platão, que
a academia substituiu, mesmo após a sua morte aos 80 anos de idade
quando em 529 d.C o imperador romano Justiniano mandou fechar a
Academia, juntamente com outra escola não-cristãs, a doutrina platônica
já tinha sido amplamente difundida. Dentre os discípulos de Platão o que
mais se destacou foi Aristóteles. Com 17 anos começou a frequentar a
academia, mas acabou por formular o seu própio sistema, trazendo o mundo
das ideias para a terra. Mesmo opondo-se a Platão Aristóteles demonstra
em suas obras o quanto sofreu sua influencia. E como ele e muitos
outros filósofos se basearam no pensamento platônico desenvolvendo-o ou
discordando dele.

Das obras de Platão, cerca de trinta chegaram até nossos dias, algumas
de autoria ainda discutidas. As mais celebres foram escritas sob a forma
de dialogo: “Republica”, “Protágoras”, “Apologia”, “Fedro”
“Timon” e “Banquete”. Estava empenhado em um grande tratado “As leis” quando morreu em 347 antes de Cristo.

A corrente filosófica conhecida como platonismo originada do pensamento
de Platão é também uma atitude diante do mundo: a contempladão da
realidade, que sob formas diversas aparece constantemente na historia do
pensamento. Não foi apenas a filosofia que sofreu influencia desse tipo
de procedimento: também a ciência, religião e as artes foram marcados
por esta doutrina, que teve grande florescimento com Plotino no século
III d.C  em Roma. Mais tarde o sistema filosófico de Platão foi ligado
ao pensamento cristão por Santo Agostinho (século IV), que dizia ” No interior do homem, na alma está a verdade “. No século passado surgiu a escola neoplatônica, existente até nossos dias.

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