Sexo e autoestima quando a relação com o próprio corpo interfere na intimidade

Sexo e autoestima: quando a relação com o próprio corpo interfere na intimidade

Psicologia

Entenda a relação entre autoestima, aceitação do próprio corpo, autoconhecimento e intimidade neste artigo da psicóloga Silvana Souza de Sá.

A forma como uma mulher enxerga o próprio corpo, seus medos e suas experiências pode influenciar diretamente a maneira como vive a intimidade e os relacionamentos.

Por Psicóloga Silvana Souza de Sá

À primeira vista, sexo e autoestima podem parecer assuntos diferentes. Mas existe uma relação importante entre eles. Uma autoestima fragilizada pode interferir — e muito — na maneira como uma pessoa vivencia sua sexualidade.

Grande parte das mulheres mantém uma relação de amor e conflito com o próprio corpo. Isso não é exatamente uma novidade.

Mas como se despir diante de alguém quando, muitas vezes, a própria mulher encontra dificuldade para olhar o seu corpo nu diante do espelho?

Para algumas, até mesmo usar uma roupa mais justa, provocante ou uma lingerie mais sensual pode representar um desafio. Há mulheres que acabam se escondendo atrás de roupas largas porque não se sentem confortáveis com o próprio corpo ou não conseguem reconhecer sua própria beleza.

Quantas mulheres gostam de praia ou piscina, por exemplo, mas deixam de frequentar esses lugares porque sentem vergonha do corpo?

Se uma mulher encontra dificuldades para aceitar o próprio corpo e se relacionar de maneira positiva consigo mesma, a intimidade diante do olhar de outra pessoa também pode se tornar mais difícil.

Experiências do passado também deixam marcas

Além das questões relacionadas à aparência, existem mulheres que carregam feridas emocionais ou cicatrizes de relacionamentos anteriores envolvendo sexo e intimidade.

Somos também constituídos por nossas emoções e experiências.

Quando entramos em um relacionamento esperando algo diferente daquilo que a outra pessoa deseja — especialmente quando não existe uma comunicação clara — podemos sofrer.

Isso pode acontecer, por exemplo, quando alguém deseja um companheiro e um relacionamento sério enquanto a outra pessoa procura apenas uma relação casual.

Experiências como essas podem gerar inseguranças e bloqueios. Quando eles se somam a uma baixa autoestima, a vida afetiva e sexual pode acabar sendo prejudicada.

Conhecer a si mesma também significa conhecer o próprio corpo

É muito difícil estar em um relacionamento quando não conseguimos nos amar ou sequer conhecer nosso próprio corpo.

É importante perceber quais partes de nós mesmas apreciamos, compreender nossos limites e reconhecer aquilo que nos faz sentir confortáveis.

Para quem está do outro lado, nem sempre é fácil compreender que uma pessoa evita se entregar completamente à intimidade porque sente vergonha do próprio corpo.

Por isso, o autoconhecimento não envolve apenas descobrir quem somos emocionalmente. Também passa pela relação que construímos com nosso corpo.

Atividades físicas podem contribuir para esse processo de percepção corporal.

Posso citar minha própria experiência com a dança do ventre. Durante uma aula, a professora pede que movimentemos isoladamente determinada parte do corpo. Parece simples, mas então damos o comando e percebemos que o corpo nem sempre responde como imaginávamos.

É como se estivesse “enferrujado”.

Algumas posições de yoga também podem parecer muito difíceis no começo. Com a prática, entretanto, o corpo vai se adaptando.

Outro aspecto que considero importante é a respiração. Além de movimentar o corpo, precisamos aprender a respirar e sincronizar nossos movimentos.

Tudo isso exige prática.

Autoestima não se transforma de um dia para o outro

Gostamos de imaginar soluções rápidas. Queremos estalar os dedos e ver uma transformação acontecer imediatamente.

Mas a vida raramente funciona dessa maneira.

Atletas treinam durante anos para alcançar bons resultados. Existe disciplina, dedicação, alimentação, descanso e repetição.

Com a autoestima também existe um processo.

Quanto mais uma mulher evita o espelho, foge do contato com o próprio corpo ou evita refletir sobre sua sexualidade, mais difícil pode se tornar superar determinadas barreiras.

O caminho contrário passa pelo conhecimento, pela percepção e pela aceitação.

Qual é o seu medo?

Talvez seja o medo de não ser aceita como você é.

Mas existe uma pergunta anterior a essa:

Você se aceita?

Não precisamos ser iguais às mulheres que aparecem nas capas das revistas ou às imagens idealizadas que vemos diariamente.

Ninguém é igual a ninguém. Cada pessoa possui características próprias, influenciadas por sua história, biologia e genética.

Cada mulher possui sua própria beleza.

Mais difícil do que reconhecer qualidades e imperfeições é passar a vida tentando representar algo que não somos.

Quando buscamos constantemente um padrão externo, corremos o risco de deixar de perceber quem realmente somos.

Aceitar-se também pode trazer liberdade

Quando fortalecemos nossa autoestima, autoconfiança e capacidade de expressar aquilo que sentimos e desejamos, podemos começar a nos libertar de determinadas cobranças.

Aceitar-se não significa acreditar que somos perfeitas.

Significa reconhecer quem somos, respeitar nossos limites e compreender nosso próprio valor.

Essa segurança pode permitir que uma mulher relaxe, respire e aproveite os momentos da vida — seja na praia, caminhando pela rua ou vivendo a intimidade com outra pessoa — sem permanecer constantemente preocupada com a maneira como está sendo observada.

Gosto de comparar esse processo à preparação de uma gelatina de várias cores.

Para criar as diferentes camadas, é preciso esperar que a primeira esteja consistente antes de acrescentar a seguinte. Caso contrário, tudo se mistura.

Com a autoestima pode acontecer algo semelhante.

Quando construímos uma base de respeito, amor próprio e confiança, ficamos mais preparadas para nos abrir para outra pessoa.

Essa liberdade permite sermos mais sinceras conosco e com quem está ao nosso lado, aproveitando momentos especiais sem tantas cobranças sobre como deveríamos ser.

Descubra aquilo que está impedindo você de avançar

A vida continuará apresentando dificuldades.

Não precisamos esperar que todas as tempestades desapareçam para começar a viver os momentos bons.

Meu desejo para você, mulher, é que consiga identificar seus medos e suas crenças limitantes.

Descubra quais são os muros que ainda estão diante de você.

E, pouco a pouco, encontre maneiras de ultrapassá-los.

Psicóloga Silvana Souza de Sá

Texto originalmente publicado em 2018 e revisado editorialmente para publicação no Zona Leste em Foco, preservando as ideias e o conteúdo original.

Autor

  • Silvana Souza de Sá

    Silvana Souza de Sá é psicóloga e colaboradora do Zona Leste em Foco, onde escreve sobre autoestima, relacionamentos, comportamento e temas ligados à Psicologia e ao cotidiano.

    Acompanhe Silvana Souza de Sá: Facebook | Instagram

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